
Um dos maiores problemas que tem manchado a história do Brasil a muitos anos é a corrupção. Ela está impregnada nos mais de 500 anos de nossa história. É difícil acreditar que um dia ela nos deixe em paz. Corrupção ligada a política não é novidade para ninguém, diariamente jornais anunciam novos escândalos de corrupção por todas as partes do Brasil. Chegamos a tal ponto de muitas pessoas terem desistido de tentar mudar esse quadro, outras acham até normal roubar dinheiro público. No Brasil em que vivemos uma pessoa ao ser assaltado na rua fica indignada e se conforma quando vê no noticiário que o candidato em que votou roubou dinheiro público, esquecendo que dessa forma ela também foi assaltada, e o pior de tudo, por uma pessoa em que confiou seu voto.
Em meio a tanta desanimação com a política surgiu um iniciativa popular, idealizada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que elaborou um projeto de lei ''Ficha limpa'' para que fosse entregue ao Congresso. A Constituição garante essa participação popular, desde que uma abaixo assinado por um determinado número de eleitores seja entregue. Esse movimento ganhou força no Brasil inteiro alcançando o número mínimo de assinaturas. Graças a grande repercussão e a meta de assinaturas ter sido alcançada, o projeto de lei foi entregue ao Congresso para votação. Ele torna inelegíveis aqueles que tenham sido condenados por decisão colegiada da Justiça (por mais de um juiz). Segundo o projeto, fica inelegível o político condenado por corrupção, gasto ilícito de campanha e compra de votos, abuso de autoridade e crimes hediondos, como estupro, sequestro.
O engraçado é que essa ideia não partiu de nenhum parlamentar, quem é que vai querer votar contra o fim de seu mandato? A maioria dos deputados infelizmente tem o rabo preso com a justiça. O projeto só foi aprovado, devido a pressão popular. Sendo assim, muitos deputados com problemas na justiça tiveram que correr o risco, aprovando no Congresso e encaminhado para o Senado. No senado, o projeto foi aprovado por unanimidade e agora depende apenas da sanção do presidente Lula, que deve sancionar a lei sem maiores problemas. Entretanto, a data da aplicação fica dependendo do sinal verde do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda não se manifestou sobre o assunto.
Até então, muito ''oba oba'', todo mundo pensando que a corrupção na política brasileira está com os dias contados, infelizmente não é bem assim. Quando li a notícia que o Senado tinha aprovado o projeto de lei fiquei feliz que pela primeira vez comentaria no blog sem criticar nenhum político, sinal que estaríamos avançando. Graças ao senador Francisco Dornelles (PP-RJ) isso não vai ser possível. Num ato de ingenuidade, misturada a maldade o senador na redação da emenda alterou os tempos verbais em cinco artigos. Na emenda fala, por exemplo em políticos que “forem condenados” em decisão transitada em julgado em vez dos que “tenham sido condenados”.
Se for para fazer uma lei para varrer esses bandidos da política brasileira, ela no mínimo deve ser bem formulada, para que os representantes possam ser dignos do povo brasileiro. Muita gente falando que isso não atrapalha em nada, porém eu tenho certeza que isso vai ser decisivo na interpretação da lei. Por outro lado, foi um avanço muito grande a aprovação desse projeto no Senado, mesmo que com essa pequena, mas grave falha. Esperamos pelo menos que a lei comece a valer esse ano.
Não podemos nos esquecer que quem elege esses políticos ficha suja é a população brasileira. Muitos votam por votar e nem procuram saber sobre o candidato. O projeto não vale de nada, se os eleitores não valorizarem seus votos e pesquisarem sobre em quem estão votando. Para ser sincero, acho que nem precisaríamos dessa lei, caso todos os brasileiros fossem conscientes a pontos de votar em candidatos no mínimo ficha limpa para nos representar. Meu sonho é um dia através desse blog opinar sobre projetos e ideias de diversos candidatos, sem ter que me preocupar com os problemas que eles tem na justiça. Ganhamos a batalhas, mas a corrupção ainda não desistiu da guerra.


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